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Galeria: I Seminário Futebol nas Gerais

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Encerramento do I Seminário Futebol nas Gerais

O último dia de seminários começou logo cedo com o encontro de Professores Universitários de Futebol, em seguida, ainda no período da manhã, o Professor Victor Andrade de Melo (UFRJ) exibiu o Filme “Onda Nova” (1983). Para abrir a tarde, os pesquisadores se apresentaram nas mesas orais e por fim, para fechar o seminário, os professores, Bernardo Buarque de Hollanda (FGV) e Silvio Ricardo da Silva (UFMG), fizeram um debate sobre o O Torcer no Futebol.

O filme, dirigido por José Antônio Garcia, tem como pano de fundo a história de um grupo de garotas integrantes do Gaivotas FC, um time de futebol feminino e retrata principalmente a sociedade paulista na década de 1980, na qual os jovens sempre ocupavam a posição de vanguarda.

No encerramento do I Seminário Futebol nas Gerais, o Professor Bernardo Buarque de Holanda falou um pouco sobre as torcidas organizadas, segundo ele, a arquibancada é um tulmuto de emoções e, a forma de organização das torcidas é uma questão de política. Já que trata-se de uma forma dos torcedores participarem e influenciarem dentro do clube, “é uma busca por espaço e poder”, ressalta o professor. A relação torcida organizada-imprensa, nem sempre foi como a conhecemos hoje, no Rio de Janeiro, o surgimento das torcidas esteve diretamente ligado a imprensa, mais precisamente, ao Jornal dos Sports, de Mário Filho. Já o Professor Sílvio Ricardo da Silva, levantou alguns pontos em que o pertencimento de um indivíduo em relação ao clube se dá: familiares, ídolos, local de moradia e momento pelo qual um time passa. tal momento pode ser de vitória ou não. Também nas derrotas, o pertencimento se dá, já que em determinado momento todos querem participar, principalmente da redenção.

Para fechar com chave de ouro, ao final do evento, os participantes e convidados celebraram o Seminário com uma partida de futebol.

Segundo dia de Futebol nas Gerais

Futebol e linguagem” e “Política e gestão pública do futebol” essas foram as mesas temáticas que fecharam o sábado do ISeminário Futebol nas Gerais. Durante a primeira mesa, os professores da Faculdade de Letras da UFMG, Élcio Loureiro Cornelsen, Luciane Correa Ferreira e Marcelino Rodrigues da Silva, falaram sobre os ’Hinos no futebol das gerais’, ‘Futebol e metáfora na mídia das gerais’ e sobre a rivalidade entre Cruzeiro e Atlético em ‘Picadinho de raposa com ensopado de Galo’. Apesar de tratarem de estudos diferentes, os três trabalhos dizem respeito a imagem que se tem/cria dos clubes a partir da linguagem utilizada e como os símbolos contribuem para isso.

A professora Luciane Corrêa destacou que na mídia brasileira, ao falar de futebol, as metáforas que predominam, são as de guerra, como por exemplo: “O embate entre Cruzeiro e Atlético acontece em 04 de dezembro…”. Já a imprensa alemã retrata os jogadores brasileiros como bailarinos e, ao tratar de uma partida de futebol usam metáforas que remetem a uma viajem. Tais diferenças de linguagem, refletem em como, naquele momento, é a relação de determinada sociedade com o esporte. Em seus estudos sobre os hinos das equipes mineiras, o professor Élcio Cornelsen mostrou que os hinos são essenciais para a construção da imagem de um clube, além disso, em relação a construção, há grandes diferenças entre a estrutura dos hinos de clubes tradicionais e clubes populares. Dessa forma, com a popularização do esporte e o crescimento dos clubes, houveram mudanças também nos hinos, facilitando a identificação do torcedor e atribuindo ao clube detenha determinada imagem. Por fim, o professor Marcelino Rodrigues afirmou que futebol é discurso e que serve para que a gente se constitua como sujeitos, por isso nos apropriamos de elementos, tais como hinos, metáforas e símbolos.

O sábado foi encerrado com a mesa ‘Política e gestão do futebol: retrospectiva e perspectivas’, que contou com a participação dos professores Fernando Mascarenhas, da Universidade de Brasília e Armindo do Santos de Sousa Teodósio, da PUC Minas. O professor Fernando Mascarenhas, destacou a importância do chefe de estado na realização da Copa do Mundo em determinado país. Segundo ele, no caso do Brasil, o fato do presidente, na época da escolha da sede, Lula, ser um entusiasta do esporte contribuiu muito para que o Brasil seja a próxima sede. O que, junto com os jogos Olímpicos, tem um papel de reposicionamento do país diante do mundo. Além disso, o professor destacou que o estado passa por três fases, na realização de um megaevento: financiador, investidor e social. A primeira diz respeito ao fortalecimento das empresas nacionais, através de crédito a grupos empresariais envolvidos na construção de hotéis, estádios, arenas, no setor de turismo e de comunicação. Já a segunda se refere às obras de infraestrutura, como aeroportos, segurança e vias. Por fim, a fase social do estado que abrange as políticas públicas, políticas de inclusão e redução da pobreza.

Em relação ao chamado legado que um megaevento deixa para o país, cuja somente a candidatura custa 138 milhões, o professor Armindo Teodósio, mostrou a situação dos dois últimos países que receberam as copas de 2006 e 2010. Ao fim da Copa a Alemanha ficou endividada, já a África do Sul, convive agora com diversos estádios sem utilidade, com a concentração de dinheiro nas grandes corporações, com a economia informal e com a gentificação, ou seja retirada da população dos espaços urbanos, o que acontece também no Brasil e principalmente em Belo Horizonte, cidade que tem feito o maior deslocamento de pessoas, para que as obras de preparação para a Copa do Mundo aconteçam.

Futebol nas Gerais: Copa do Mundo de 2014

Na manhã do segundo dia de Seminários, o Futebol nas Gerais realizou um debate multidisciplinar, sobre a Copa de 2014 no Brasil. A mesa de reflexão contou com a participação do Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Dr. Martin Christoph Spörl, com o Professor e Coordenador da Rádio UFMG Educativa, Elias Santos e com o Chefe de Gabinete da Secopa e Gerente Estruturador da Copa de 2014, Eder Campos.

O professor alemão, Martin Christoph, utilizou de cinco pontos para expor suas ideias em torno do que representa o futebol e a realização da copa em determinado país. Segundo ele, as análises, devem ser feitas sob a perspectiva da globalização, mídia, financeiro, técnico e das ideias. Tais eventos são pensados como um espetáculo e visam o lucro, levando em consideração o fluxo de pessoas e a circulação de dinheiro originários do mundo inteiro. Em relação ao ponto de vista da mídia, é interessante para o país estar em pauta, com a realização de tais eventos, os olhos do mundo voltam-se para o Brasil “em um único jornal estrangeiro, encontrei quatro reportagens sobre o Brasil”, contou Martin. Toda essa visibilidade, deixa também a moeda local em destaque e mexe por exemplo, como o mercado imobiliário, o que traz consequências positivas e negativas ao mesmo tempo. Para que tais eventos aconteçam investimentos em tecnologia e infraestrutura são essenciais, desenvolvendo assim o setor tecnológico do país sede do mega evento. Por fim, receber uma como Copa do Mundo e/ou uma Olimpíada para um país como o Brasil, pode significar uma vaga na modernidade, significa mostrar sua identidade ao mundo e, principalmente que temos capacidade de organizar um megaevento da mesma forma que os demais países. Ao final Martin Christoph levantou ainda a seguinte questão: “Esses eventos estão acontecendo de forma democrática”?

Já o professor Elias trouxe a discussão para o viés da mídia, fazendo uma crítica ao distanciamento e ao desconhecimento, em relação aos processos de comunicação “Fazendo parte do processo de comunicação, nos tornamos críticos melhores”, alertou ele, que indagou ainda o papel da mídia nos megaeventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas. Segundo ele, para que ocorra mudanças a academia e mídia devem se aproximar. O professor disse ainda que em meio a prática jornalística, o jornalismo esportivo é um dos mais conservadores, em relação a forma e formato, além disso, destacou que é preciso que a mídia, principalmente a belo-horizontina, tenha uma relação menos subserviente com as organizações, o que acrescentaria muito nesse momento em que o país se prepara para dois megaeventos.

Por fim, em meio a muita polêmica, o representante do comitê organizador da copa, destacou que a copa do mundo funciona como catalisadora das obras de infraestrutura pelas quais as cidades estão passando: “Os gastos com mobilidade, por exemplo, já existiriam, mas com a copa as coisas acontecem mais rápido, o evento traz um senso de urgência, o que será mais importante para quem fica na cidade, pós copa”. Contrapondo o que foi discutido durante a exposição do Professor Arlei Damo, no primeiro dia de palestras, Eder Campos, disse que do ponto de vista dos administradores dos estádios, o torcedor deve ser visto como cliente e não como simples consumidor. A quem se diz contra a Copa do Mundo no país, devido aos gastos públicos que isso envolve, o Chefe de Gabinete, ressaltou que o objetivo da organização não é gastar é organizar da melhor forma, além disso Eder, ressaltou que o planejamento feito não é o melhor existente, porém é o melhor que poderiam ter feito naquele momento. Éder afirmou ainda, que a maior porcentagem dos gastos do governo estadual com a Copa dizem respeito as necessidades da cidade e que os gastos com os estádios são feitos pela iniciativa privada, a partir de financiamentos junto ao BNDES.


Abertura do Seminário Futebol nas Gerais

Debate, reflexão e festa, estes foram os ingredientes da abertura do I Seminário Futebol nas Gerais, que aconteceu nessa sexta-feira (11), na Faculdade de Educação Física e Terapia Ocupacional da UFMG. Antes mesmo do início das palestras, o debate sobre o mundo do futebol começou com a transmissão ao vivo do programa da Rádio UFMG Educativa em parceria com o Gefut, o Óbvio Ululante. Em seguida, o Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Arlei Sander Damo deu início as palestras na conferência de abertura, que discutiu “O estudo do futebol na perspectiva das ciências humanas e sociais”.

Arlei Sander Damo, que pesquisa o esporte não só pelo viés da educação física, mas sim pelo olhar da antropologia, destacou que o futebol é a porta de entrada para a discussão do esporte como um todo, nas ciências sociais. Segundo o pesquisador, há três aspectos que devem ser destacados no momento atual do futebol: processo de mudança, fatores políticos e estéticos. “Estamos vivendo um processo de elitização do esporte, a ideia é disciplinar o público, disciplinando também para o consumo”, completou ele. Trata-se de um processo inverso do que ocorreu na década de 80, quando o futebol se popularizou. Já a questão política envolve o afastamento das classes mais baixas dos espetáculos futebolísticos: “usamos dinheiro público, direta ou indiretamente, em estádios, que ficarão cada vez menos inclusivos”. O torcedor deixa de ter importância, o foco agora é o cliente, este é o trabalho do markenting, transformar os fieis em consumidores. E, como consequência disso, temos o empobrecimento estético já que com o processo de disciplinização do público perde-se parte importante da sociabilidade e a diversidade, características do esporte.

A amplitude e relevância do tema, fez com que fossem levantadas diversas outras questões e críticas, a respeito das áreas envolvidas no esporte. Sobre a imprensa, o Professor Arlei Damo, questionou o conservadorismo ao lidar com o futebol, por exemplo. De acordo com ele, ainda hoje, em geral, os veículos estão fortemente ligados ao processo do futebol e aos dirigentes, “a imprensa é conservadora ao falar das torcidas organizadas, ao tratar da violência nos estádios e ao se posicionar diante da Fifa, como se esta fosse uma entidade”, destacou Arlei. A respeito da relação academia-imprensa, o pesquisador, ressaltou que é importante que haja um descolamento da agenda midiática, “só vamos discutir MMA quando a Globo começar a transmitir”, exemplifica ele.

Presente na solenidade de abertura, Meily Asbu Linhales, professora e representante da diretoria da faculdade no evento, ressaltou a satisfação em participar do seminário “Vi o Gefut nascer, por isso é uma honra estar aqui e ver o quanto o grupo cresceu”. Já o Professor e Coordenador do Seminário, Silvio Ricardo da Silva, disse que eventos como esse dão ao futebol um protagonismo necessário, e que é muito importante trazer a Minas Gerais tais discussões.

Neste sábado a programação tem início a partir de 9h da manhã, com a Mesa Temática: “Copa do Mundo de 2014 no Brasil, que contará com a participação do Professor Martin Christoph Curi Spörl (UFF), do Coordenador Executivo da Rádio UFMG Educativa, Elias Santos e do chefe de gabinete e gerente adjunto do Projeto Estruturador Copa de 2014, Sr. Eder Campos. Às 15h30, os professores Dr. Marcelino Rodrigues da Silva (FALE-UFMG), Dr. Elcio Loureiro Cornelsen (FALE-UFMG) e a Dra Luciane Corrêa Ferreira (FALE-UFMG), falam sobre Futebol e Linguagens. Para fechar o dia, uma mesa temática sobre “Política e Gestão do Futebol: retrospectiva e perspectivas”, que terá a participação dos professores Dr. Fernando Mascarenhas (Unb) e Dr. Armindo dos Santos de Sousa Teodósio (PUC-MG).

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Dilvugada a lista dos trabalhos aprovados com respectiva data, horário e local de apresentação. Clique aqui.

Inscrições abertas, clique aqui.

O Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas (GEFuT) da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG tem, desde setembro de 2006, se debruçado sobre temas correlatos ao futebol e as torcidas. Desde sua criação o grupo tem como característica a busca pela interdisciplinaridade. Após cincos anos de trabalho, importantes e agradáveis diálogos com colegas de diversas áreas do conhecimento, o grupo tem o prazer de convidá-los a participar de um desejo que se realiza, o evento “Futebol nas Gerais”. Este momento não poderia distanciar-se da característica anteriormente citada. Para tanto a amplitude deste evento se estende as ciências humanas e sociais, estudantes, pesquisadores, professores, interessados em geral no debate e produção acadêmica acerca do futebol. História, Ciências Sociais, Psicologia, Educação Física, Letras, Antropologia, Jornalismo, Administração, todos tem sua contribuição para os estudos do futebol. O “Futebol nas Gerais” espera ser um espaço para aproximar estes olhares. Sejam todos bem vindos.

I Seminário Futebol nas Gerais